Agricultura oportuniza discussão sobre caprinocultura do leite em palestras na Expopalmas

Programação do dia tem como tema o Dia do Leite, com inicio às 9h30 e prossegue até as 17 horas, no auditório do estande da Seagro, no Parque de Exposição de Palmas
por Eliane Tenório/Governo do Tocantins
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Adão Rocha disse que para quem quer iniciar atividade é preciso conhecer mais sobre o desafio cotidiano e investir na profissionalização
Adão Rocha disse que para quem quer iniciar atividade é preciso conhecer mais sobre o desafio cotidiano e investir na profissionalização - Foto: Manuel Junior/Governo do Tocantins

Em novo formato e com nova abordagem, numa área aberta e em forma de círculo, o público assistiu, na manhã desta sexta-feira, 21, às discussões promovidas pela Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro) sobre a cadeia produtiva da caprinocultura leiteira no Estado. O evento ocorreu na Expopalmas, e teve início com um relato da experiência do produtor e empresário Adão Rocha, proprietário do Laticínio Ascabras, localizado no município da capital, Palmas.

A programação do dia tem como tema o Dia do Leite, com início às 9h30 e prossegue até as 17 horas, no auditório do estande da Seagro, no Parque de Exposição de Palmas. 

O produtor Adão Rocha contou que começou a criar caprinos há 18 anos por incentivo do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que realizou um estudo de viabilidade econômica da atividade. “Comecei com 15 animais da raça Sanner e atualmente tenho cerca de 40 animais, sendo 30 fêmeas, e cada cabra produz cerca de 4 litros, ao dia, em duas ordenhas, em média 20 litros”. Para a comercialização, além de vender o leite e o esterco direto ao consumidor, ainda produz queijo frescal, iogurte e leite pasteurizado para os programas governamentais. 

Adão Rocha contou também que já chegou a criar 100 cabeças de caprinos, mas que foi diminuído, porque vende também cabritos e animais para reprodução e corte para outros produtores. “A atividade é desafiadora, requer certo valor por causa da viabilidade econômica, mas a gente está se mantendo. Falta um pouco mais de aprimoramento e investimento para que possamos crescer mais”. Para quem quer iniciar a atividade, o produtor aconselhou a conhecer mais sobre o desafio cotidiano e investir na profissionalização. “Os benefícios são que o produtor pode criar muitos animais em uma área pequena, dependendo do sistema que vai adotar. Os animais comem pouco e os produtos agregam muito valor. Outro ponto importante é a demanda de mercado, se produzir 100 litros vai vender tudo”, afirmou.    

Sistemas e potencialidades

Os sistemas produtivos de caprinos leiteiros e as potencialidades também foram assuntos abordados, na manhã desta sexta-feira. O professor Dêmis Menezes, do Instituto Federal do Tocantins (IFTO), câmpus Paraíso do Tocantins, falou sobre um projeto que vem sendo executado para desenvolver a cadeia produtiva de ovinos e caprinos no Tocantins. Falou sobre as dificuldades para convencer os alunos a aderirem ao projeto, que também cria um público consumidor baseado na experimentação dos produtos feitos a partir da carne e de leite dos animais. “Começamos a fazer os produtos e convidar os alunos para experimentar as comidas. Hoje, eles procuram o professor para saber quando vai ter experimentação da culinária”, se divertiu o professor.

A acadêmica do 6º período de medicina veterinária da Faculdade Católica do Tocantins, Maria Eduarda Alves, falou do interesse em participar das palestras com destaque para o melhoramento genético aplicado em animais bovinos, ovinos e caprinos. “Já participamos de uma conversa sobre piscicultura hoje [sexta-feira], mais cedo, mas meu interesse maior é pra conhecer sobre melhoramento genético que é uma área em que quero me especializar”, disse.

Tecnologia e Manejo

A diretora de Políticas Públicas da Seagro, Érika Jardim, falou sobre a importância do manejo na produção de caprinos. “Em toda produção pecuária, é necessário trabalhar o tripé: alimentação, sanidade e genética. Todos sendo trabalhados com profissionalismo, um bom manejo reprodutivo e um bom manejo sanitário, são condições para que gente possa ter bons resultados. Mesmo considerando a caprinocultura e a ovinocultura como atividades de fácil manuseio e manejo, para ter bons resultados, para ter carne e leite de qualidade é preciso investir em tecnologia e em bons manejos”, orientou.

A diretora reforçou que, em todo processo de pecuária, é necessário que seja acompanhado por um técnico, seja médico veterinário, zootecnista ou engenheiro agrônomo. “São profissionais habilitados para que conduzam a atividade do produtor, na intenção de que este tenha rentabilidade e que a atividade seja sustentável, para que o produtor tenha renda o ano todo. A atividade precisa ser sustentável ao longo do ano, ao longo do tempo, cada vez mais com o uso de tecnologias e profissionalismo”, argumentou a diretora.

Erika Jardim reforçou que a Seagro, como gerenciadora das políticas públicas para o setor, vem trabalhando com qualificação técnica, capacitação para o produtor e organização da cadeia, apresentando o diagnóstico da ovinocaprinocultura e criando a câmara setorial. “Governança é fundamental para que essa cadeia produtiva se fortaleça e se desenvolva de forma sustentável”, afirmou.

Programação da tarde

No período da tarde, ocorrerá um encontro dos produtores de leite do Estado e para fechar a programação, Erika Jardim apresentará o diagnóstico da bovinocultura no Estado, com números atualizados da cadeia produtiva, que vão servir para a elaboração do planejamento estratégico do setor.

O público assistiu as discussões promovidas pela Seagro sobre a cadeia produtiva da caprinocultura leiteira no Estado - Manuel Junior/Governo do Tocantins
Os sistemas produtivos de caprinos leiteiros e as potencialidades também foram assuntos abordados, na manhã desta sexta-feira - Manuel Junior/Governo do Tocantins
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