Na comunidade Fazenda Nova, na região do Jalapão, durante oficina prática de produção da farinha de Jatobá, produtores rurais receberam orientações e dicas sobre o manejo do fruto para complementar a renda.
A oficina, realizada nesse fim de semana, foi ministrada pelo agroextrativista José Batista dos Santos, mais conhecido como seu Zé Mininim, integrante da Rede Jalapão. A comunidade recebeu orientação sobre o período de coleta do fruto, a forma adequada de despolpamento, armazenamento, torra, comercialização, além de dicas de usos, receitas e embalagens.
A supervisora da Área de Proteção Ambiental (APA) do Jalapão, Rejane Nunes, ressalta que, durante a roda de conversa, os produtores e a equipe do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins) também dialogaram sobre o planejamento dos aceiros e o acordo do calendário de queima da comunidade. “Vale ressaltar que a oficina sobre o jatobá, como de outros frutos nativos, mostra o potencial da produção agroextrativista para o complemento da renda familiar. A retomada de encontros entre comunidades e o órgão ambiental deve se estender por todo o mês de abril, com distribuição de cartazes e dos nossos contatos para consolidarmos a agenda do MIF [Manejo Integrado do Fogo] deste ano, uma vez que cada comunidade tem data e forma de manejo diferente”, destaca.
Segundo a supervisora da APA, a oficina prática de produção da farinha faz parte do curso sobre o jatobá, oferecido pela Fundação Pró-Natureza (Funatura) e pela Associação Comunitária dos Artesãos e Pequenos Produtores de Mateiros (ACAPPM), no âmbito do projeto Rede Jalapão de Mateiros para integração dos produtores/extrativistas e troca de saberes. No município, o projeto busca estimular a geração de renda a partir da comercialização de produtos da biodiversidade local, como jatobá, cajuzinho, entre outros, que já fazem parte da cultura tradicional das comunidades jalapoeiras. São pilares da ação: segurança alimentar, geração de renda e conservação da biodiversidade.
A coordenadora do projeto Rede Jalapão de Mateiros, Flávia Rodrigues dos Santos, explica que a iniciativa no município é financiada pelo Programa de Pequenos Projetos Ecossociais (PPP-ECOS) do Fundo Global para o Meio Ambiente (GEF - Global Environment Facility), implementado pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (UNDP), com previsão até 31 de novembro do corrente ano. A Funatura foi selecionada no 30° Edital de Convocação de Territórios e Áreas Conservados por Povos Indígenas e Comunidades Tradicionais e Locais (TICCAs), publicado pelo Instituto Sociedade, População e Natureza (ISPN) para recuperação dos impactos gerados pela pandemia de covid-19, no bioma Cerrado e sua área de transição.
“A Rede Jalapão é uma experiência muito legal, composta por famílias, instituições parceiras com interesses voltados para a conservação do Cerrado e a busca de melhoria da qualidade de vida para os moradores rurais. Nasceu da necessidade de buscar alternativas menos impactantes para os moradores do entorno do PEJ [Parque Estadual do Jalapão]. Desde a sua implantação, essas famílias passaram a comercializar seus produtos de forma mais ordenada. A Rede Jalapão é uma experiência exitosa feita por várias mãos. Parte da renda dessas famílias vem do extrativismo. É um incremento a mais na renda das famílias”, reitera Flávia Santos.
Manejo do fogo
O Manejo Integrado do Fogo (MIF) considera aspectos culturais e históricos sobre o uso do fogo e os aspectos técnicos com ações de prevenção, preparação, combate, restauração florestal, uso de queimadas prescritas e ainda a ecologia do fogo, com o objetivo de proteger áreas de vegetação sensíveis, como mata ciliar, fragmentando e reduzindo o acúmulo de material combustível, criando mosaicos de vegetação, com diferentes estágios de regeneração pós-fogo.
Por sua vez, o MIF de base comunitária promove a efetiva participação das comunidades locais no planejamento e a implementação de queimas controladas conjuntas, além da responsabilidade e do protagonismo das comunidades residentes nas Unidades de Conservação (UCs) e seu entorno, na tomada de decisão sobre o uso do fogo, visando minimizar a ocorrência e a extensão de incêndios.
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