Fórum debate o desenvolvimento estratégico da agroenergia no Tocantins

Entre as políticas públicas adotadas, Thiago Dourado destacou o Programa Renovabio, política instalada no Brasil que atende ao Pacto de Paris para reduzir a emissão de CO2 na atmosfera
por Eliane Tenório/Governo do Tocantins
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Técnicos e acadêmicos receberam informações sobre estatísticas brasileiras para culturas agroenergéticas
Fórum debate desenvolvimento estratégico da agroenergia em Palmas - Foto: Manoel Júnior/ Governo do Tocantins

Com a  proposta de debater o cenário da agroenergia no Tocantins e no Brasil, o Governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado do Desenvolvimento da Agricultura e Pecuária (Seagro), e a Universidade Federal do Tocantins (UFT) realizaram, na última terça-feira, 27, o 1º Fórum de Desenvolvimento Estratégico da Agroenergia no Tocantins. O Fórum ocorreu no auditório da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado do Tocantins/Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Faet/Senar), em Palmas.

Cerca de 140 pessoas, entre técnicos e acadêmicos, receberam informações sobre Estatísticas Brasileiras para culturas agroenergéticas, como está a Agroenergia no Tocantins e no mundo e sobre o Panorama da Agroenergia no Tocantins, Políticas Públicas voltadas para o setor, Programa Renovabio e sobre Biocombustíveis: Janelas de Oportunidades.

Os participantes receberam ainda informações sobre os temas: Desafio da Produção Agrícola para Biocombustíveis, Culturas Energéticas para o Cerrado: Desafios e Oportunidades, Desafio da Produção Agrícola de Biocombustível, Futuro de Agroenergia, Pequenas Unidades Produtoras de Energia Elétrica por meio de Biomassa, Pesquisa Científica e Desenvolvimento Agroenergético e por fim a palestra sobre Macaúba: uma Alternativa Promissora para o Cerrado. Depois das palestras, foi a vez dos mediadores abrirem espaço para os debates. O evento finalizou com uma mesa-redonda para alinhamento das informações.

De acordo com o secretário da Seagro, Thiago Pereira Dourado, há uma tendência mundial parta o uso de biocombustíveis renováveis com ênfase para a agroenergia, destacando a cultura da soja, eucalipto e cama de frango. “O Fórum traz, hoje, informações de empresas parceiras que geram pesquisas, a exemplos da Embrapa e IBGE para que se possa, com essas informações, agroindustrializar a produção agrícola e gerar agroenergia dentro do Estado. A perspectiva é que a gente possa potencializar as grandes indústrias, fazer crescer para se tornar grande nacional e internacionalmente”, afirmou.

Thiago Dourado destacou também que já há empresas instaladas no Tocantins para produção de biocombustíveis, a exemplos Bunge, que já produz álcool anidro e hidratado, e Granol que produz biodiesel.  

O secretário também apresentou as políticas públicas, nacionais e internacionais, que fomentam a produção de agroenergia no Brasil e Tocantins, destacando o Programa Renovabio, política instalada para atender o Pacto de Paris, no acordo para mitigar toda emissão de CO2 e que a produção de agroenergia vem convergindo nesse sentido.  “Naturalmente, pelo acordo, haverá uma demanda crescente para os biocombustíveis. As indústrias que já estão instaladas funcionam como credibilidade para que novos investidores, ou para que elas mesmas aumentem seus investimentos dentro do Estado”, afirmou. 

A palestrante, engenheira agrônoma, e pesquisadora da Embrapa Meio Ambiente na área de Produção de Biomassa e Agroenergia, Dra Nilza Patrícia Ramos, explicou sobre o Programa do governo federal Renovabio que incentiva a produção de biocombustíveis no Brasil, premiando produtores que tenham melhor desempenho ambiental e que produzem etanol e biodiesel dentro das regras do programa e recebendo premiações que têm valor de mercado na Bolsa de Valores. Durante a palestra, a pesquisadora informou sobre como o programa funcionará para que os atores se preparem para participar.

O pesquisador da Embrapa Florestas de Colombo no Paraná, Erich Gomes Schaitza, destacou a oportunidade de usar a madeira como mais uma opção para gerar bioenergia. Além de mostrar a distribuição da madeira no Brasil e no Tocantins, o palestrante discutiu também questões como as distâncias das florestas para as usinas de geração de energia, motivo que afeta preços e viabilidade dos negócios, além de apontar alternativas tecnológicas para a geração de energia. “Hoje, quando falamos de energia, ainda pensamos em energia elétrica; temos calor, frio, energia elétrica e toda a mobilidade e como a madeira pode participar desse processo. Quando falamos desse processo aqui no Tocantins falamos do eucalipto. Ou plantamos para colher ou manejamos as florestas de forma sustentável, dentro dos parâmetros aceitos mundialmente”, explicou.

Sobre a viabilidade do negócio o pesquisador explicou que nem sempre a viabilidade técnica é econômica, e que então cabe aos governos. Ele elogiou a iniciativa do Governo do Tocantins, por meio da Secretaria da Agricultura, pela iniciativa de apoiar o setor privado e de, junto a este, construir toda uma rede de referencia que determinará se o negócio é ou não viável. “Aos poucos, as pessoas vão copiando, vão fazendo seus esforços próprios e logo passam aquela rede de referencia, que foi construída junto com ciência e tecnologia, governo e instituições privada, à prova de conceito. Então esse é o caminho da articulação de colaboração do plano e parece ser o único caminho viável para a gente mostrar que no Tocantins as coisas funcionam”, afirmou o pesquisador.

Com essa gama de informações, a mestranda do Programa de Pós-Graduação de Agroenergia da Universidade Federal do Tocantins (UFT) falou sobre a importância da participação dos mestrandos do curso nos eventos promovidos pelo Governo do Tocantins, por meio da Seagro, que têm sido de relevante importância para a formação acadêmica. “Nossa turma tem participado de vários eventos promovidos pela Seagro, ao longo de 2018, a exemplos dos lançamentos do Selo do Combustível Social e Plano de Agroenergia do Tocantins, que têm agregado valor à nossa formação e que também contam como atividades complementares”, afirmou. “O curso de agroenergia é de extrema importância para o Estado, porque vai impactar também outras áreas, ajudando a desenvolver tecnologias não só para produção de combustíveis renováveis, mas também em outras áreas”, afirmou. O Curso de Mestrado em Agroecologia oferecido pela Universidade Federal do Tocantins (UFT) é o primeiro e único no Brasil.

Fórum debate desenvolvimento estratégico da agroenergia em Palmas - Manoel Júnior/ Governo do Tocantins
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