Governo celebra 23 anos do Tocantins com grandes avanços na agricultura

por Aldenes Lima
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Lagoa da Confusão é um grande produtor de melancia, chegando a sair diariamente 350 caminhões carregados com a fruta, com qualidade excepcional
- Foto: Zezinha Carvalho

Com um aumento de 100% no rebanho de corte, lavouras de grãos e sementes para exportação em safras atemporais, produção recordista mundial e nacional de frutos como a melancia e o abacaxi respectivamente, quebrando tabus ao abrir novos horizontes de cultivos ao produzir cana e com uma prospecção ímpar de crescimento. Este é o cenário da agricultura tocantinense nestes 23 anos. Os avanços obtidos até aqui e os projetos que alavancarão o setor nos próximos anos são apresentados pelo secretário da Agricultura Pecuária e Desenvolvimento Rural, Jaime Café, em entrevista especial para a comemoração do aniversário do Tocantins. Veja os tópicos destacados abaixo:

Crescimento da Pecuária - “O Tocantins saiu de 4 milhões de cabeças no rebanho para 8 milhões e temos um potencial muito maior, pois nos últimos anos buscamos melhoramento genético e dando a este rebanho um plus de menos um ano no pasto, para ir pro abate. Além disso, abrimos novas fronteiras para a pecuária leiteira, através de uma ação do governador Siqueira Campos em seu segundo mandato, quando trouxe algumas novilhas que melhoraram muito nosso rebanho, e temos como melhorar porque a cultura do leite tem uma característica inclusiva, pois a mesma pode ser praticada por pequenos produtores que não precisam de tanta tecnologia para esta prática.

Pretendemos, sob o comando do governador Siqueira Campos, criar políticas de incentivos e levar até o produtor tecnologias e recursos, através de financiamentos para potencializar nossas áreas de pastagens degradadas. O Tocantins tem sete milhões de hectares de pastagens e estimamos que mais de cinco estejam subutilizadas. Exemplo da busca pela correção desta pastagem é a parceria com o Governo Federal, a través do Ministério da Agricultura (MAPA), buscando a multiplicação dos recursos do projeto Agricultura de Baixo Carbono (ABC), a melhor linha de crédito de financiamento do Brasil, com juros de 5,5%. Para se ter uma ideia, se recuperarmos 50% das áreas degradadas, podemos potencializar mais 3 milhões de cabeças e passaremos de oito para 11 milhões de cabeças sem derrubar uma árvore.

Através do prestígio e da confiança que o governador Siqueira Campos inspira aos bancos internacionais e aos fundos de investimentos, estamos buscando recursos para financiar o calcário e o potássio para os produtores rurais, para que através da correção do solo, eles saiam de menos de uma cabeça por hectare, para até 2,3 por hectare”.

Avicultura - “Há 23 anos tínhamos zero de produção na avicultura e hoje temos mais de 100 aviários, potencial para crescimento e grandes investimentos com frigoríficos em Paraíso e Aguiarnópolis, que em breve estarão em funcionamento. Então este é um setor que demanda consumo de milho, sorgo e soja, que impulsiona outras culturas”.

Aquicultura – “Temos um grande destaque hoje que é a aqüicultura, pois o Tocantins possui grandes lagos e vazantes propícios a implantação de parques aquicolas. Para se ter idéia, somente em Palmas, com o lago da Usina de Lajeado, existe previsão de instalação de 23 mil tanques redes capazes de produzir mais de 20 mil toneladas de peixes por ano. Para a instalação destes parques, neste mês de outubro deve sair as licitações para os módulos familiares, que atendem principalmente os impactados pelos lagos. Para a prática da aqüicultura temos ainda o sistema de produção implantado na região sudeste do Estado, o qual aproveita a água da chuva para criar peixes, através de pequenas barragens, com um custo muito barato, gerando renda e emprego e despertando interesse de várias empresas do ramo, que nos procuram principalmente pelos incentivos. Dentre eles está a redução de 12% para 3% a pauta do peixe, dada pelo governador Siqueira Campos, nos primeiros meses do atual mandato”.

Grãos - “O Tocantins tem diversas áreas com condições de alta produtividade de soja, a exemplo da região sul e na região de Pedro Afonso e Campos Lindos, onde é nossa maior produção. O detalhe importante é que no Tocantins não se canaliza um tipo de investimento, pois são vários tipos de solo, que dão condições de explorar vários tipos de cultura. Isso é um ponto positivo, porque a soja, por exemplo, exige grandes áreas, o que não temos, se compararmos nosso Estado com estados vizinhos.

Em 1995 tínhamos aproximadamente 20 mil hectares de produção de soja e discutíamos esta cadeia produtiva. Na época o governador Siqueira Campos chamou os produtores para uma mesa redonda, da qual eu participei, e hoje temos mais de 450 mil hectares de soja plantada e com potencial para chegar a mais de um milhão e meio em curto prazo, tudo isso impulsionado pelo bom preço e pela soja não ser mais comercializada única e exclusivamente para a produção de óleo, mas também para o biodiesel.

Iniciada sua produção em 1990, o arroz do Tocantins, concentrado basicamente nas áreas de várzeas, tem alcançado ótima qualidade e saímos de uma média de 45 a 50 sacas por hectare para 90 sacas por hectare, com alguns talhões de até 150 sacas/hectare. Tudo isso com um produto que não deixa nada a desejar se comparado com o produzido em outros estados, o que garante sua competitividade no mercado.

Nos últimos 10 anos começamos o estudo do feijão, e passou a ser uma alternativa muito lucrativa, com exemplos de alguns produtores que chegaram a ganhar R$ 2 mil por hectare em uma safra. Vale observar que o ciclo do feijão é de apenas 70 dias.

O milho nos últimos dois anos tem sido uma alternativa de safrinha (logo após a colheita da soja), uma vez que os preços estão atrativos. Na região de Pium, por exemplo, onde temos o maior índice de chuva (mais de 2 mil milímetros por ano) no Estado tivemos produtores que colheram 6 toneladas por hectare”.

Quebra de tabu - “Uma outra novidade é a quebra do tabu, graças ao arrojo do governador Siqueira Campos, quando buscou o Programa de Cooperação Nipo-Brasileiro para o Desenvolvimento dos Cerrados (Prodecer), o instalou na região de Pedro Afonso e deu condições para que aquelas áreas que ele identificou com potencial de produção fossem abertas, e a partir dali se instala agora uma empresa como a Bunge, mostrando que o Tocantins produz cana e hoje tem uma produtividade de 90 toneladas por hectare.

Antes se tinha o mito de que o Tocantins não tinha condições de produzir cana. Graças à visão do governador Siqueira Campos, o estado hoje tem capacidade para mais cinco ou seis empresas do porte da Bunge, cada uma com mais de 40 mil hectares produtivos, além da prospecção de crescimento pelo fato da potencialidade de produção do etanol e açúcar aqui mesmo, com preços altamente competitivos”.

Frutas - “O Tocantins é famoso pelo abacaxi da casca verde e do caule amarelo que ocupa hoje destaque nas mesas do Brasil inteiro. Agora com um trabalho com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estamos buscando recuperar a produção do abacaxi, que sofreu nos últimos anos com uma doença.

Em 1997 houve uma enchente na Lagoa da Confusão, e eu, na qualidade de presidente do Sindicato dos Produtores Rurais, vim com alguns reivindicar do governador Siqueira Campos, um apoio para tentarmos renegociar as dívidas dos prejudicados pela enchente. O governador, na época, sugeriu que nós tentássemos usar nossas áreas no verão. Naquela época, só plantávamos arroz e sem tecnologia nenhuma. Na ocasião ele se propôs e fez em menos de dois anos as barragens do Rio Urubu. Hoje Lagoa da Confusão é um grande produtor de melancia, chegando a sair diariamente 350 caminhões carregados com a fruta, com qualidade excepcional. Vale lembrar que toda a produção de fruta tem como incentivo a pauta zero”.

Produção atemporal - “O Projeto Rio Formoso em Formoso do Araguaia e a região de Lagoa da Confusão, representa 80 mil hectares em produção, e temos uma vantagem que é a produção em 50 mil hectares no verão, o que significa fazer dupla produção (verão e inverno) no ano. Nas regiões Norte e Centro Oeste, desconhecemos outro estado que faça isso.

Hoje temos projetos de várzeas, na região centro oeste do Tocantins, com alto valor agregado à produção da entressafra (secas), e neste período temos a colheita de feijão e da semente de soja, que produzimos hoje para todo o cerrado brasileiro com um plus de 20% de bonificação. Se formos somar todos os benefícios recebidos pelos produtores, temos produtores recebendo até 50% a mais do que o que se ganha na produção convencional”.

Silvicultura - “As grandes vantagens do Tocantins para esta atividade são terras boas e logística diferenciada através da ferrovia norte-sul. Isto tem atraído grandes investidores, pois reduz até pela metade o custo da retirada da mercadoria através da rodovia. Ao longo dos trechos da ferrovia, tem se instalado grandes empresas produzindo eucalipto (para papel, energia e madeira); e há projetos para produção de ipê irrigado, com alta tecnologia, que reduz o tempo para utilização da madeira e seringueira.

Além da logística, as condições climáticas através da grande luminosidade, reduzem em até 30% o tempo de vegetação destas árvores em relação a outras regiões do Brasil, e os preços de terras (boas e baratas) bem localizadas tem atraídos grandes investidores”.

Licenciamentos - “Nestes primeiros meses da atual gestão, o governador Siqueira Campos tem levantado os percalços e gargalos do desenvolvimento sustentável. Dentre eles, o que considero principal, o problema dos licenciamentos ambientais. Na atual gestão, governador Siqueira Campos determinou que se criasse um modelo de licenciamento que fosse ao mesmo tempo ágil e simplificado, obviamente observando a legislação federal.

O governador ainda determinou a criação do Programa de Adequação Ambiental de Propriedade e Atividade Rural (To Legal) para poder regularizar a situação dos produtores num prazo de um ou dois dias”.

Projetos de irrigação - “Temos hoje o Manuel Alves, o São João e o Sampaio. Neste último, já temos algumas empresas que tem interesse em fomentar a produção de dendê.

No projeto São João, aguardamos que o Ministério da Integração Nacional faça doação da parte de energia para a empresa concessionária, para que a gente possa autorizar os módulos empresariais, alavancando os pequenos produtores. A situação é idêntica à do projeto Manuel Alves, em que está em fase de construção a subestação de energia, que dará condições a quem tem um plano de negócio maior.

Em fase adiantada de negociação está o projeto Chapada da Natividade, com capacidade para 5 mil hectares de produção e ao qual o governador Siqueira Campos pediu para dar atenção especial, assim como aos projetos do Programa de perenização dos Rios do Sudeste (Propertins) que tem condições de produzir com grande qualidade”.

Agricultura familiar - “No Tocantins, segundo o último levantamento, temos mais de 45 mil famílias de pequenos produtores. Dentre eles, chacareiros e assentados, para os quais temos buscado, através do MDA, por meio do Instituto de Desenvolvimento Rural do Estado do Tocantins (Ruraltins), órgão que está sendo totalmente reestruturado, tecnologias e parcerias para ampliar as cadeias produtivas destas famílias, a fim de que seja suprido o sustento familiar de todos e ainda haja lucratividade. A reformulação do Ruraltins vai aumentar a produção dos pequenos produtores, ao incentivar a diversidade através de seus novos núcleos voltados para o leite (Araguaína), frutas (Dianópolis) e peixes (Palmas)”.

- Marcio Di Pietro
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- Luciano Ribeiro
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- Marcio Di Pietro
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