Governo do Tocantins promove oficina sobre o uso sustentável do capim-dourado e do buriti na comunidade quilombola Barra do Aroeira

Na ação, ocorrida nessa segunda-feira, 31, 18 artesãos solicitaram a emissão da licença para coleta, manejo e transporte do capim-dourado e do buriti
por Rafaela Mazzola/Governo do Tocantins
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Oficina abordou orientações sobre a Política Estadual de Uso Sustentável do Capim-Dourado e do Buriti, instituída pela Lei estadual n° 3.594/2019 - Foto: Rafaela Mazzola/Governo do Tocantins

O Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot) e do Instituto Natureza do Tocantins (Naturatins), realizou nessa segunda-feira, 31, uma oficina de orientações sobre a Política Estadual de Uso Sustentável do Capim-Dourado e do Buriti e apoio no cadastramento de 18 artesãos da Comunidade Quilombola Barra do Aroeira, no município de Santa Tereza do Tocantins, para solicitação da licença de manejo, transporte e coleta das espécies.

A ação foi requisitada pela própria comunidade durante participação da Sepot na programação Julho das Pretas, no dia 22 de julho, quando a lavradora Ermina Maria Rodrigues, de 64 anos, expressou a necessidade de ter mais segurança no momento da coleta, “tendo a carteirinha, podemos mostrar”.

"A ação é uma forma de cumprir a missão para a qual a Sepot foi criada, que é auxiliar essas comunidades, muitas afastadas dos centros urbanos e com deficiências de acessos. O dia foi produtivo, porque a comunidade participou e tirou suas dúvidas, a ideia é que, no próximo ano, consiga revalidar a licença para garantir que estejam aptos para coletar o capim e, consequentemente, a sustentabilidade da comunidade e do meio ambiente", afirmou a assessora na diretoria de Proteção aos Quilombolas, Jarlene Alves de Santana.

Legislação estadual

No Tocantins, as principais legislações sobre o tema são a Lei estadual n° 3.594/2019, que institui a Política Estadual de Uso Sustentável do Capim-Dourado e do Buriti; e a Instrução Normativa/Naturatins n° 03/2023. Na oficina, os temas foram abordados pelo Naturatins com a explicação da gerente de Suporte ao Desenvolvimento Socioeconômico do Naturatins, Vanessa Braz Carneiro; e da bióloga Ana Carolina Freire Carvalho.

“A ação foi muito positiva, visto que era uma comunidade que não havíamos conseguido alcançar, então os associados conseguirem pedir sua licença e, a partir deste ano, estarem legalizados pelo Naturatins é muito válido”, avaliou a gerente Vanessa Braz.

Após encerramento do prazo das solicitações, nessa segunda-feira, 31, os analistas do Naturatins analisarão os processos e emitirão os ofícios de pendências, caso necessário, para adequações até o dia 19 de setembro. Com a reedição da Instrução Normativa/Naturatins n° 03/2023, ficou estabelecida a revalidação anual para quem já possui licença.

A coleta das hastes do capim-dourado no Tocantins, desde que estejam completamente secas e maduras, é autorizada no período de 20 de setembro a 30 de novembro, conforme a Política Estadual.

As informações repassadas na oficina e a licença contribuirão nas atividades da artesã Maria de Fátima Rodrigues. “Estarei mais segura com o que eu for fazer, porque não farei nada fora da lei, pois agora estamos conhecendo e estaremos com o documento em mãos”, afirmou.

Música e dança com buriti

Desde os 10 anos, o artesão e músico Nilo José Rodrigues, hoje com 55 anos, fabrica violas de buriti. A viola boa de som começa pela seleção do buriti na mata, explica, com a escolha de uma palmeira meio madura. Sobre a licença, o artesão afirmou que “é um documento que dá força para a gente. A gente tira ele meio maduro, mas é sempre na mata, acontece que se não tivermos um documento para comprovar que trabalhamos com aquilo podemos ser multados”, informou.

Integrante da organização do grupo de dança Maculelê, o adolescente Flávio da Silva Rodrigues, de 15 anos, acompanhou de perto a oficina e o cadastramento. “O buriti é costurado em um cordão e amarrado na cintura que a gente usa para dançar. As informações de hoje ajudaram a entender que não é simplesmente a gente chegar lá e tirar o buriti, precisamos de uma artesã”.

Na ação, 18 artesãos solicitaram a emissão da licença para coleta, manejo e transporte do capim-dourado e do buriti - Rafaela Mazzola/Governo do Tocantins
Artesãos e artesãs da Comunidade Quilombola Barra do Aroeira, no município de Santa Tereza do Tocantins, durante oficina sobre uso sustentável do capim-dourado e do buriti - Rafaela Mazzola/Governo do Tocantins
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