Governo do Tocantins realiza 1ª edição dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal

Reunindo mais de mil esportistas indígenas de seis etnias do Tocantins e Mato Grosso, o evento terminou no sábado, 9, no município de Formoso do Araguaia
por Rísia Lima e Rafaela Mazzola/Governo do Tocantins
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Mais de 3 mil pessoas assistiram ao segundo dia dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal com competições tradicionais, como arco e flecha - Foto: Manoel Jr./Governo do Tocantins

Às margens do rio Javaés, em meio à exuberante natureza da maior ilha fluvial do mundo, seis etnias indígenas dos estados do Tocantins e Mato Grosso participam da 1ª edição dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal, entre os dias 7 e 9 de setembro, na aldeia Canuanã, município de Formoso do Araguaia.

Tendo como realizadores o Governo do Tocantins, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), e a Prefeitura de Formoso do Araguaia, por meio da Secretaria Municipal da Educação, Cultura e Assuntos Indígenas, o evento reúne cerca de 1.200 esportistas de diversas modalidades como arco e flecha, luta corporal, atletismo, futebol e cabo de guerra.

A diversidade cultural presente nos jogos está representada na participação das etnias Javaé, Karajá, Krahô, Krahô Kanela, Tapirapé e Xerente. E, também, ressaltada na participação das mulheres nas modalidades futebol feminino, cabo de guerra e atletismo. Considerando anos anteriores, a organização do evento prevê um público de cerca de 5 mil pessoas assistindo aos jogos e participando das festividades, que contam com apresentações culturais e shows regionais.

Valorização cultural

Na realização dos jogos, o diretor de Proteção à Cultura dos Povos Originários e Tradicionais da Sepot, Célio Thorkã Kanela, ressaltou a importância do evento na promoção da cultura tradicional. “Quando valorizamos nossa cultura e promovemos o intercâmbio com outros povos, inclusive os não indígenas, a gente permite que as pessoas conheçam e respeitem mais nossas tradições, isso diminui o preconceito existente com a cultura indígena”, frisou.

A ocorrência dos jogos durante o feriado do dia 7 de setembro não é uma novidade na comunidade indígena de Canuanã, já era tradição acontecer as competições de futebol (uma das modalidades preferidas entre as etnias) e uma grande celebração aproveitando a reunião entre os parentes (maneira como se referem aos indígenas de outras etnias). O crescimento na participação fez com que as modalidades fossem ampliadas e cada vez mais público fosse atraído ao evento.

Percebendo o potencial para o município, a Prefeitura de Formoso do Araguaia decidiu encampar a realização da 1ª edição dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal. O prefeito de Formoso do Araguaia, Heno Rodrigues, expressou sua “alegria em participar da organização dos jogos de Canuanã, primeiro por ser uma tradição e segundo, porque este ano tivemos um apoio do governo do Estado, por meio da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais para que a gente pudesse aprimorar essa festividade. Além de ter todas as etnias aqui da Ilha do Bananal, temos também outras etnias aqui do estado do Tocantins e de outros estados. É oportunizar o intercâmbio entre essas diferentes etnias e também permitir que a comunidade aqui de Formoso tenha contato com esses indígenas nesses dias em que estão sendo realizados esses jogos aqui na aldeia.”

Expectativas positivas

A secretária municipal da Educação, Cultura e Assuntos Indígenas de Formoso,  Isabel Lima, que esteve à frente da organização junto com a comunidade de Canuanã, relatou que “esse é o primeiro ano que a prefeitura participa e a expectativa foi muito boa, muito positiva. Estamos vivenciando esse momento com grande satisfação para a gestão municipal, tanto por envolver etnias em nível de estado e, também, pela reação da comunidade indígena. Ontem, o cacique Tehãbi Javaé expressou a felicidade dele emocionado com esse evento, com a forma de organização e a participação de todos”.

Participação

Já na abertura, na quinta-feira, 7, a aldeia recebeu cerca de 5 mil pessoas. O dia, que começou com apresentações culturais tradicionais e seguiu com o campeonato de futebol, foi finalizado com show de Theo Santana. No dia seguinte, 8, não foi diferente, mais de 3 mil pessoas acompanharam a programação recheada de competições de arco e flecha, luta corporal, cabo de guerra e atletismo.

Indígenas de pelo menos 10 etnias, vindos de diversos municípios do Tocantins; e de Santa Terezinha, São Félix do Araguaia e Luciara, Mato Grosso, e outros estados totalizam cerca de 1.200 competidores, entre homens e mulheres.

Criado na região da Ilha do Bananal, o diretor de Proteção à Cultura dos Povos Originários e Tradicionais da Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot), Célio Thorkã Kanela, destacou a persistência do povo Javaé na realização do evento, que durante anos foi promovido sem qualquer apoio governamental, e ressaltou a importância da participação do Estado. “Com o apoio dos governos, nosso povo se sente, pela primeira vez, valorizado, isso interfere no modo como a sociedade em geral olha para a gente e eleva a autoestima dos jovens das nossas comunidades para darem valor às nossas origens e se envolverem com atividades saudáveis, evitando o uso de drogas”.

Entusiasmo

Participando pela primeira vez dos jogos, João Carlos Torres Silva, da etnia Atekumã, de Pernambuco, elogiou o evento. “Só não está melhor, porque perdemos”, afirmou o jogador de futebol, “a organização está muito boa”.

Satisfeito com o apoio para a realização dos jogos, o cacique Tehãbi Javaé já prevê a ampliação do projeto. “Estou satisfeito com o apoio da Secretaria [Sepot]. Já conversei com o prefeito, ano que vem nós vamos fazer de novo, ano que vem vai ter mais comunidades indígenas. Todo mundo brincando é bom demais”, celebrou o cacique de Canuanã.

Também entusiasta dos jogos, o prefeito de Formoso do Araguaia, Heno Rodrigues, já garantiu o apoio para a próxima edição. “A ideia é ampliar para o próximo ano as atividades fornecidas neste ano com uma visão voltada para promover o esporte indígena e projetar para o estado do Tocantins e para o Brasil. Além disso, pretendemos promover a participação de mais indígenas aqui na aldeia e em outros eventos que devemos realizar aqui no município também.”

Modalidades

Além da tradicional luta corporal, competições de cabo de guerra, arco e flecha, atletismo e futebol fizeram o público torcer, vibrar e se divertir no segundo dia de evento. Dessas, apenas a luta corporal não contou com categoria feminina.

Finalistas dos Jogos


Luta Corporal: Maurílio Javaé (1º lugar) e Randori Javaé (2º lugar);
Atletismo: Beinare Javaé (1º lugar)  e Aragone Javaé (2º lugar);
Arco e flecha: Lari Javaé (1º lugar) , Joel Karajá (2º lugar), Weheria Karajá (3º lugar) e Roke Javaé (4º lugar);
Cabo de guerra:  Jovens Barcelona (1º lugar);
Futebol feminino: Horotury (1° lugar) e Cachoeirinha (2° lugar);
Futebol masculino: 1° lugar Jovem Barcelona, da aldeia Canuanã, e 2° lugar ITXEO.

Realização

A 1ª edição dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal é uma realização da Sepot e da Secretaria Municipal da Educação, Cultura e Assuntos Indígenas de Formoso do Araguaia, com o apoio da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) do Tocantins.

Luta corporal é uma das modalidades dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal - Manoel Jr./Governo do Tocantins
Jogos Indígenas da Ilha do Bananal iniciaram na quinta-feira, 7, e terminaram nesse sábado, 9, com a participação de pelo menos 10 etnias de diversos estados brasileiros - Manoel Jr./Governo do Tocantins
Secretaria dos Povos Originários e Tradicionais na abertura da 1ª edição dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal - Prefeitura Formoso do Araguaia
Seis etnias indígenas dos estados do Tocantins e Mato Grosso participam da 1ª edição dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal - Prefeitura Formoso do Araguaia
Diversas modalidades como arco e flecha, luta corporal, atletismo, futebol e cabo de guerra estão na programação da 1ª edição dos Jogos Indígenas da Ilha do Bananal - Prefeitura Formoso do Araguaia
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