ICMS ecológico auxilia cidades com ações ambientais

Todos os 139 municípios tocantinenses têm direito ao ICMS ecológico, mas só os que se organizam melhor ficam com as maiores fatias do montante arrecadado pelo Estado. Em alguns casos, o percentual do Ecológico é quase o dobro do repasse total de ICMS.
por Wilson Coelho
-
Este ano, o município de Mateiros, no Jalapão, está entre os campeões do ICMS ecológico
- Foto: Lia Mara/Secom

Os municípios menos desenvolvidos economicamente do Tocantins têm uma ferramenta importante para elevar o caixa das prefeituras. O ICMS ecológico - que valoriza ações na área ambiental, de saneamento básico, conservação da água e é um instrumento democrático de distribuição do ICMS – Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços. Todos os 139 municípios tocantinenses têm direito ao ICMS ecológico, mas só os que se organizam melhor ficam com as maiores fatias do montante arrecadado pelo Estado. Em alguns casos, o percentual do Ecológico é quase o dobro do repasse total de ICMS.

Este ano, os municípios de Tocantínia, Mateiros, Pium e Itacajá estão entre os campeões do ICMS ecológico. Nos dez primeiros meses de 2012, Tocantínia recebeu R$ 2,1 milhões em ICMS, sendo que deste valor R$ 1,7 milhão (80%) foram de ICMS ecológico. No mesmo período, Mateiros recebeu R$ 1,8 milhão, com R$ 1,1 milhão (62%) somente de Ecológico. Itacajá e Pium também tiveram suas receitas elevadas por conta de ações ambientais. Ambos receberam até outubro, respectivamente, R$ 1,4 milhão e R$ 1,9 milhão de ICMS total, sendo que o Ecológico representou quase 60% dos repasses para Itacajá e 54% para Pium.

Nesses municípios, o que impulsionou o repasse foi a implantação de Políticas Municipais de Meio Ambiente, a manutenção de Unidades de Conservação e Terras Indígenas, Controle e Combate a Queimadas, Conservação do Solo, Saneamento Básico e Conservação da Água, elementos que compõem o ICMS ecológico, que equivale a 13% dos 25% do ICMS pertencentes aos municípios.

O ICMS ecológico surgiu para fazer justiça aos municípios com baixo desempenho econômico e que, portanto, tem baixa participação no bolo arrecadado. Para se ter uma ideia, até outubro deste ano, os 139 municípios tocantinenses receberam R$ 303,8 milhões em repasses de ICMS. Palmas ficou com a maior fatia, R$ 65,8 milhões. Araguaína R$ 26,4 milhões e Gurupi R$ 17,1 milhões. Nesses municípios, o comércio e o setor de combustíveis são os vetores da atividade econômica e o ICMS ecológico não chega a 2% do valor repassado.

Como é feita a distribuição do ICMS

Da arrecadação do ICMS, 25% são repassados aos municípios. A forma de distribuição é feita com a aplicação do IPM – Índice de Participação dos Municípios, que permite ao Estado entregar as quotas-partes de cada um. Sua composição segue cinco critérios: o Valor Adicionado (75%), que é resultante da movimentação econômica (adição de riqueza) do município; a Quota igual (8%) para todos os municípios; o Número de Habitantes e a Área Territorial, com percentuais de 2% cada, e o ICMS ecológico, que representa os 13% restantes.

Para chegar ao IPM, a Secretaria da Fazenda se baseia em dados repassados anualmente pelas empresas, através do DIF – Documento de Informações Econômico-fiscais, emissão de notas fiscais e autos de infração por omissão de saídas, que são resultado das ações realizadas pela Receita Estadual. No tocante ao ICMS ecológico, a Sefaz busca informações junto ao Naturatins e Ruraltins, que recebem os relatórios e documentos que comprovam a execução de projetos e ações ambientais e de saneamento básico.

Revisão: Natália Ferraciolli

keyboard_arrow_up