Sepot participa da construção de núcleo para prevenção e combate à violência doméstica contra a mulher indígena, no Mato Grosso

Evento buscou criar uma rede de apoio para proporcionar segurança às mulheres indígenas da Ilha do Bananal
por João Pedro Gomes/Governo do Tocantins
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Além da Sepot, instituições como a Sesai, a Secretaria de Saúde de Goiás, Funai, Polícia Federal e Ministério Público Federal participaram do evento - Foto: João Pedro Gomes/Governo do Tocantins

Para construir uma rede de apoio a mulheres indígenas vítimas de violência, a Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais do Tocantins (Sepot) participou de uma conversa pública em São Félix do Araguaia, no Mato Grosso, promovida pela Secretaria de Saúde Indígena do Ministério da Saúde (Sesai), nessa terça e na quarta-feira, 17 e 18, com órgãos e representantes indígenas de três estados: Tocantins, Mato Grosso e Goiás.

A analista da Diretoria de Proteção aos Povos Indígenas, Milene Souza, representante da Sepot, ressaltou o papel da Secretaria na construção de um núcleo para prevenção e combate à violência doméstica contra a mulher indígena. “Quem tem que falar são vocês [mulheres indígenas], o protagonismo é de vocês, a dor é de vocês. Estamos aqui para auxiliar e ajudar a construir [a rede de apoio]. Eu me emociono muito com essas falas, porque é muito doloroso, principalmente violência contra a mulher. Estamos desenvolvendo projetos na Sepot que casam com muitas necessidades das mulheres indígenas”, sintetizou.

Reivindicação indígena feminina

“Violência não é cultural e nunca será. Chega! Nós, mulheres indígenas, pedimos socorro”, expressou com preocupação a farmacêutica Jessica Karajá, da etnia Iny, da Ilha do Bananal. Os relatos são de preocupação com a segurança de mulheres vítimas de violência doméstica na região.

O coordenador do Distrito Sanitário Especial Indígena (Dsei) Araguaia, Labé Kàlàriki Idjawaru Karajá, explicou que a realização desse debate ocorreu devido às reivindicações das próprias mulheres. “A partir do movimento indígena Marcha das Mulheres, que ocorre em Brasília, elas clamaram por esse momento, por um socorro. A partir daí, a Sesai [Saúde Indígena do Ministério da Saúde ] se propôs a pensar em um mecanismo para atender a essa demanda”.

Acolhimento e responsabilidade das instituições

“Precisamos que todas as instituições que necessitam realizar atendimento e acolhimento de uma vítima, de uma família ou até mesmo de um abusador, que elas tenham preparo e saibam respeitar e acolher os direitos, a cultura, os valores dos povos originários, e que possam, dentro dessa singularidade, fazer com que os papéis das instituições no que diz respeito ao cuidado, acompanhamento e acolhimento sejam realizados de forma integral. Não podemos mais ficar marcando reuniões, temos que tomar ações efetivas”, destacou um dos organizadores do evento, psicólogo e responsável técnico do Programa de Saúde Mental do DSEI Araguaia, Weslley Leão.

Já a gerente de Atenção às Populações Específicas do Estado de Goiás, Ana Maria Passos, pontuou que a prevenção e a proteção da vítima de violência doméstica indígena é um trabalho coletivo. “Temos que entender a violência contra a mulher como um fenômeno multifatorial, principalmente no contexto indígena, que hoje em dia as mulheres saem, estudam, trabalham e mudam a relação de poder, e quando essa relação muda, a violência se apresenta. Por isso, o primeiro passo com essa vítima é uma escuta sensível, porque do contrário ela não vai falar. E, para isso, precisamos que toda a rede de proteção, atenção e responsabilização esteja treinada e preparada”, informou. A gerente também elucida que, além do cuidado, a responsabilização do agressor também é necessária.

Evento promovido pela Secretaria de Saúde Indígena (Sesai) ocorreu na terça e na quarta-feira, 17 e 18, e buscou criar uma rede de apoio para proporcionar segurança às mulheres indígenas da Ilha do Bananal - João Pedro Gomes/Governo do Tocantins
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