Sepot valoriza saberes ancestrais durante o 23° Seminário Nacional de Pesquisa em Enfermagem

Promovido pela Associação Brasileira de Enfermagem Tocantins (Aben/TO), programação contou com roda de conversa com parteiras e raizeiras indígenas e quilombolas para compartilhar seus conhecimentos ancestrais sobre saúde e cuidado
por Dalvanilde Serra/Governo do Tocantins
-
Roda de conversa traz os saberes tradicionais indígenas e quilombolas sobre cuidado e saúde - Foto:  Dalvanilde Serra/Governo do Tocantins

A Secretaria de Estado dos Povos Originários e Tradicionais (Sepot) marcou presença na programação do 23° Seminário Nacional de Pesquisa em Enfermagem (Senpe), durante a roda de conversa intitulada Saberes Ancestrais: cuidado, cura e tradição, que ocorreu na manhã desta quarta-feira, 9, na Universidade Federal do Tocantins (UFT), em Palmas. A parceria no evento reforça o compromisso do Governo do Tocantins com a valorização e a preservação dos saberes tradicionais dos povos originários e das comunidades quilombolas do estado. 

A roda de conversa reuniu parteiras e raizeiras indígenas e quilombolas, que atuam com práticas de cura baseadas na ancestralidade e no uso de plantas medicinais do Cerrado, para compartilhar seus conhecimentos ancestrais sobre saúde e cuidado, proporcionando um diálogo entre culturas tradicionais do Tocantins. Também foi um momento de escuta, troca e fortalecimento das práticas de cuidado tradicionais, ressaltando a importância de políticas públicas que reconheçam e integrem esses saberes ao sistema de saúde.

Entre as participantes, esteve Noemi Xerente, cacica e parteira da Aldeia Boa Vista, localizada no território Xerente, no município de Tocantínia. Com sabedoria e firmeza, ela compartilhou suas experiências com o parto tradicional e explicou as diferenças entre os saberes científicos e os conhecimentos tradicionais: “Na nossa tradição, as mulheres precisam sangrar após o parto. Esse é o modo de limpar o corpo e preparar o útero para uma nova gestação”, revelou.

A mesa também contou com a presença de Tia Dedé, raizeira quilombola da comunidade da Chapada da Natividade, que demonstrou preocupação com a continuidade desses saberes. “A gente tem que valorizar nossa cultura. Tento passar os conhecimentos para os jovens, porque não somos eternos. Quando a gente for, esse saber não pode ir junto, tem que ficar aqui”, declarou.

A raizeira, benzedeira, mestra da Suceira, artesã e trançadeira, Felisberta Pereira da Silva, conhecida como Dona Felis, compartilhou ensinamentos sobre o respeito à natureza no manejo das plantas medicinais. “Não é só chegar com o facão e descascar a árvore. Deve-se ter respeito, pedir licença. A coleta tem que ser na lua minguante, secar na sombra, ter cuidado no manuseio. Vocês têm uma farmácia no quintal de casa e nem sabem disso”, destacou, referindo-se ao uso de folhas como mangueira e cajueiro para chás.

A história de Dona Felisberta, uma das referências presentes no evento, pode ser conhecida mais profundamente no documentário A Mata que Cura, disponível no YouTube pelo link: [https://www.youtube.com/watch?v=PjWvZs5Dh\_4](https://www.youtube.com/watch?v=PjWvZs5Dh_4).

Sobre o evento

O  23º Seminário Nacional de Pesquisa em Enfermagem (Senpe) é promovido pela Associação Brasileira de Enfermagem Tocantins (Aben/TO) e tem entre os diversos parceiros o Governo do Tocantins. O evento ocorre de 8 a 11 de julho, na UFT, sob o tema Interfaces da pesquisa em enfermagem na diversidade dos territórios.

keyboard_arrow_up