O professor doutor José Moran, da Universidade de São Paulo (USP), um dos maiores estudiosos do ensino híbrido no Brasil, foi o convidado especial da Universidade Estadual do Tocantins (Unitins) para ministrar a palestra de abertura da Jornada de Imersão Pedagógica 2020/2. O evento de formação continuada de docentes, que busca melhorar a qualidade e a eficiência do ensino, iniciou nessa segunda-feira, 3. O professor comandou o Web Talk: Ensino Híbrido e Metodologias Ativas de Aprendizagem, tema central da Jornada deste ano. A professora doutora Arlenes Buzatto Delabary Spada, diretora de Desenvolvimento e Pesquisa Institucional da Unitins, foi a mediadora.
A abertura contou com a participação do reitor Augusto Rezende e da vice-reitora Darlene Castro, que destacaram que toda a programação da Jornada foi pensada com base na análise dos resultados de pesquisa com professores e estudantes, realizada pela instituição. Verificou-se que a comunidade acadêmica, em sua grande maioria, aprova o andamento do semestre letivo com aulas remotas neste período de pandemia. O resultado da pesquisa apontou também a necessidade de ajustes para essa continuidade.
“Os alunos nos deram um voto de confiança. Eles acreditam em nós, na nossa instituição, e que é possível melhorar”, pontuou o reitor, enfatizando que para os alunos se sentirem estimulados é preciso oferecer motivação aos professores. A vice-reitora Darlene Castro frisou que a Jornada vem sendo pensada desde do início da pandemia. “A Jornada começa nessa segunda, mas ela vem sendo planejada desde o dia 19 de março, quando a gente resolveu sair da área de conforto e decidiu continuar o semestre letivo”, comentou a professora, defendendo a importância do evento como oportunidade de corrigir erros para avançar.
Desafios e possibilidades
Em sua explanação, o professor doutor José Moran traçou um panorama do ensino híbrido, apontando os desafios e as possibilidades, ao citar exemplos práticos que podem caminhar em perfeita sintonia com as metodologias ativas de aprendizagem. Segundo o educador, o ensino híbrido remete à ideia de misturar mais. Combinar melhor o virtual com o presencial. “É possível aprender tanto na sala de aula presencial como a distância, on-line, ou com a combinação dos dois”, defendeu.
José Moran apontou que o ensino híbrido dialoga permanentemente com as metodologias ativas. “Aprendizagem ativa não é nada novo, já trabalho com isso há muito tempo, o grande problema é que estamos muito focados em explicar tudo e os alunos aprendem muito mais nessa relação prática e teoria”, propôs o professor, ressaltando que, nessas novas práticas, é preciso considerar as dimensões pessoais, oferecer experiências reais refletidas com orientação dos docentes e trabalhar o projeto de vida do aluno.
Segundo José Moran, o ensino híbrido vai ganhar cada vez mais importância em todo o mundo. Conforme estudos que ele vem realizando, a previsão é de, com os avanços tecnológicos, o caminho natural vai ser a flexibilização dos currículos. “É desafiador e há muito a avançar, já estamos redesenhando currículos muito mais flexíveis”, garantiu.
Ao final de sua explanação, José Moran elogiou a iniciativa da Unitins e recomendou aos professores perseverança e coerência. “Fico feliz em saber que vocês têm toda esta pegada. Vocês estão no entendimento. Meu papel é de orientar. Não desistam, nas condições que temos, no lugar que estamos, temos que dar o melhor, temos que seguir adiante, mantendo a nossa integridade pessoal, física, mental e social. Ser coerente com o discurso de inovação e a prática. Ser coerente entre o que penso e o que faço. Vocês estão num bom caminho, desejo que tenham uma boa imersão. Contem comigo”, finalizou.
A Jornada de Imersão Pedagógica 2020/2, que teve início nessa segunda-feira, 3, se estende até o próximo dia 21, totalmente on-line, com transmissão via YouTube, no canal oficial da Unitins, enquanto as oficinas acontecerão pelo Google Meet. A Jornada tem continuidade nesta terça-feira, 4, às 9 horas, com web talk Ensino ou Aprendizagem?, com a professora doutora Lady Sakai, da Universidade de Gurupi (Unirg).
Edição: Thâmara Cruvinel
Revisão Textual: Marynne Juliate
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